sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Metamorfose ambulante - Raul Seixas

Escondido


"Mesmo escondido, sob este nome confuso, não me entrego por completo. Guardo meus sentimentos profundos,  a retórica direta, minhas verdades ácidas, as vontades secretas. Guardo-as desejando não guardá-las. Quero mostrar ao mundo este pedaço de ser reprimido embaixo da mesa, escamoteando idéias. Quero que sintam este  com raiva, com enganos e erros de linguagem.  Que vejam o fogo dos olhos, a força das mãos, a lucidez das ideias, os pés contra o chão. Desejo                                                       apenas, as forças me faltam. Pois                                               quem se apresenta de fato é este ser boníssimo e muito simpático."

Foto: http://www.flickr.com/photos/linhngan/


"Passei alguns dias sem escrever.
Tempo de seca? Jamais!
Tempo de reflexão."




Foto: http://www.flickr.com/photos/wwarby/

quinta-feira, 23 de junho de 2011


"Fecho o livro e volto súbito. O anjo continua voando a minha espera, ali na próxima página..."

Anjo



"Meu pequeno anjo
De asas camufladas
Onipresente me protege
Das desilusões da vida
Da minha pessoa desastrada
Das alegrias mundanas
E das tristezas invocadas..."




Foto: http://www.flickr.com/photos/pinksherbet/


sábado, 28 de maio de 2011

É

"Sofrer de amor é tão certo quanto viver
Tão errado quanto a chuva em dia de praia.
É a dor vinda lá do fundo, espalhando pelo corpo.
É a culpa, a certeza, o arrependimento.
Sofrer de amor é o frio que chega no verão.
O trem que parte antes da hora
E ficar sozinho na estação.
É infantil, irracional, é birra.
É eterno, é lembrança, sentimento.
Sofrer de amor é viver e logo morrer.
É o renascimento.
A vida em chama, verbo e plenitude.
A briga e a reconciliação.
O início, o meio e o para sempre.
É um ser, são duas pessoas, muitas vidas.
O amor não é sentimento, é escolha irracional.
Amor não fala, um olhar é suficiente.
Sofrer de amor é o grito, o implorar, a oração.
Tão gostoso, insensato e imprudente,
Amor se aconchega e fica.
Sofrer fica, mas não calado. Um dia vai embora.
E outro amor pode entrar pela porta."

Confissão II






"Não nego: hoje eu amo.
Amanhã eu odeio."






Foto: http://www.flickr.com/photos/thecampbells/

sábado, 21 de maio de 2011

"Trago lágrimas, sorrisos, histórias, abraços... trago momentos felizes, momentos de decepção. Carrego pessoas, amores e desamores, amigos e inimigos, desafetos e paixões... Não sou um livro aberto, mas também não tão fechado que você não consiga abrir, basta ter jeito, saber tocar as páginas, uma a uma, e descobrirá de que papel é feito cada uma delas"


Caio F. Abreu

domingo, 15 de maio de 2011



"Being miserable doesn't make you better than anibody else, House. It just makes you miserable"


(Dr. Wilson, House M.D.)






Foto: Divulgação

A Culpa



"Carrego a Culpa nos meus ombros como se da Culpa dependesse minha vida. Os passos curtos, pisando forte. Uma nota de exaustão, o suor escorre assumindo meus erros. A estrada de pedra foi uma escolha, fiz uma vida e ainda não me arrependi. O sol escondido e as nuvens cinzas vieram na bagagem. A dor apenas me seguiu sem saber o por que. A Culpa nasceu de mim. Cresceu com minhas escolhas, se alimenta das minhas emoções. Mas a Culpa me ajuda a caminhar, quando não sei para onde ir ela se encarrega de apontar a direção."


Foto: http://www.flickr.com/photos/rosemary_photography/

domingo, 17 de abril de 2011

Garrafa

"Já quis ser médico, advogado
Artista, herói, o velho sábio.
Ser aquele que todos abraçam
Mas sai sem deixar rastro.
O da capa, do quepe, o da máscara.
Melhor amigo, o marido, o amante.
Aquele que ajuda e sofre calado.
Em cada momento quis
Ser alguém que não era.
Dores e glórias
Sonhos que não me pertenciam.
Uma essência vazia
Só havia a garrafa.
Ainda hoje, em dias de luta
Levo a garrafa na bagagem
No dia em que me encontrar
Terei, então, preenchido
Com o licor mais suave
Meu coração amado."


Foto: http://www.flickr.com/photos/pinksherbet/

A última valsa

"A última valsa
Num baile de gala
Ao fundo a música
As estrelas no céu
Ao meu redor
Poetas dançando
Na mão uma rosa
Vermelha e murcha
Entregue a Pedro
No fim da canção."


Foto: http://www.flickr.com/photos/rittysdigiez/

Heróis e vilões

"Os rebeldes se calaram ante o tempo
Acabaram os ideais
Os símbolos escondidos
Lembranças jamais esquecidas
Apenas no silêncio
Heróis e vilões
Convivem sem saber
Um dia as armas
Foram a lei e a palavra."


Foto: http://www.flickr.com/photos/21496790@N06/